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Conteúdo Ecológico nas Obras Básicas Espíritas

 1. Leis Morais e Ecologia

O Espiritismo possibilita o resgate da relação entre o ser humano e o meio ambiente, pois ao ancorar-se nas Leis Morais de Deus como um caminho para a reforma íntima, contribui imensamente para a preservação da ecologia, tanto no sentido íntimo, como no sentido do meio externo. Percebem-se em diversas passagens do Evangelho segundo o Espiritismo, a preocupação com o ambiente, identificando-se a degradação ambiental como originada do egoísmo e do materialismo.

Devemos perceber que as Leis Morais de Deus estão na base de diversos princípios reconhecidos pelo movimento ecológico:

1.1. Leis da Conservação, do Trabalho e do Progresso.

O capítulo XXV do Evangelho Segundo o Espíritismo (Buscai e Achareis), relacionado às leis do trabalho e do progresso, pontua que “A Terra produzirá bastante para alimentar todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar os bens que ela dá, segundo as leis da justiça, de caridade e de amor ao próximo; quando a fraternidade reinar entre os diversos povos, como entre as províncias de um mesmo império, o supérfulo momentâneo de um suprirá a insuficiência momentânea do outro, e cada um terá o necessário” (item 8).

Essa passagem nos ensina o desapego dos bens terrenos e a prática do amor e da caridade. Transposta essa lição para os princípios ecológicos, percebemos que o conceito de sustentabilidade está impregnado por esses mesmos valores. Quando se fala em “desenvolvimento sustentável”, “consumo sustentável”, pretende-se que o uso dos recursos naturais seja feito de forma a não exauri-los, atendendo-se ao princípio da necessidade e enfrentando-se o egoísmo, a vaidade e o apego. Como diz o Evangelho, “Deus conhece as nossas necessidades, e as provê segundo o necessário; mas o homem, insaciável em seus desejos, não sabe sempre se contentar com o que tem; o necessário não lhe basta, lhe é preciso o supérfulo; é então que a Providência o deixa entregue a si mesmo; frequentemente, é infeliz por sua culpa e por ter desconhecido a voz que o advertia na sua consciência, e Deus o deixa sofrer as consequências, a fim de que isso lhe sirva de lição para o futuro” (item 7, Cap, XXV).

Da mesma forma, nas questões 704 e 705 do Livro dos Espíritos (lei da Conservação), indagam-se:

  • 704 – Deus, dando ao homem a necessidade de viver, fornece-lhe sempre os meios?

  • Sim, e se não os encontra é porque não os compreende. Deus não poderia dar ao homem a necessidade de viver sem dar-lhe os meios, por isso faz a terra produzir para fornecer o necessário a todos os seus habitantes, porque só o necessário é útil; o supérfulo não o é jamais.

  • 705 – Porque a Terra não produz sempre bastante para fornecer o necessário ao homem?

  • É que o homem a negligencia, o ingrato! É, todavia, uma excelente mãe. Frequentemente, também, ele acusa a Natureza pelo que resulta de sua imperícia ou de sua imprevidência. A Terra produziria sempre o necessário se o homem soubesse se contentar. Se ela não basta a todas as necessidades é porque o homem emprega o supérfulo o que poderia ser dado ao necessário. Veja o árabe no deserto: ele encontra sempre com que viver, porque não cria para si necessidades artificiais. Quando a metade dos produtos é esbanjada para satisfazer fantasias, o homem deve se espantar de nada encontrar no dia de amanhã e há razão para se lastimar de estar desprovido quando vem o tempo de escassez? Em verdade, eu vo-lo disse, não é a Natureza que é imprevidente, mas o homem que não sabe se regrar

Ou seja, a sustentabilidade no uso dos recursos naturais é uma máxima tanto para a Ecologia como para o Espiritismo, pois resultará no desapego aos bens terrenos, empenhando-se o ser humano em conservar e restaurar os bens ambientais necessários à sua sobrevivência. Com isso, certamente, conquistará o seu progresso moral, o que repercutirá no progresso material do próprio Planeta, pois tramitam conjuntamente a evolução dos mundos e de seus habitantes.

1.2. Lei da Reprodução

Ao tratar da reprodução como indispensável ao progresso, por proporcionar aos espíritos o retorno à vida corporal, o Livro dos Espíritos aborda a temática dos obstáculos à reprodução na pergunta n. 693: “Há espécies de seres vivos, animais e plantas, cuja reprodução indefinida seria nociva a outras espécies e o próprio homem seria logo a vítima; comete ele um ato repreensível detendo essa reprodução?

“- Deus deu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder que deve usar para o bem, mas não abusar. Ele pode regrar a reprodução segundo as necessidades, mas não deve entravá-la sem necessidade. A ação inteligente do homem e o contrapeso estabelecido por Deus para restabelecer o equíbrio entre as forças da Natureza, e é isso, ainda, que o distingue dos animais, porque o faz com conhecimento de causa. Mas os próprios animais também concorrem para esse equilíbrio, porque o instinto de destruição que lhes foi dado faz com que, provendo sua própria conservação, eles detenham o desenvolvimento excessivo, e talvez perigoso, de espécies animais e vegetais de que se nutrem”.

1.3. Lei da Destruição

 É preciso que tudo se destrua para renascer e se regenerar, porque os que chamais destruição não é senão uma transformação que tem por objetivo a renovação e melhoramento dos seres vivos. No entanto, a Natureza proporciona aos seres os meios de preservação e de conservação para que a destruição não chegue antes da época necessária. Toda destruição antecipada entrava o desenvolvimento do princípio inteligente. Por isso, Deus deu a cada ser a necessidade de viver e se reproduzir (pergunta 729, Livro dos Espíritos).

Na pergunta 735, indaga-se sobre a destruição dos animais, através da caça. A resposta define a caça como “predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda destruição que ultrapasse os limites da necessidade, é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem senão por suas necessidades; mas o homem, que tem o livre arbítrio, destrói sem necessidade. Ele prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, porque é aos maus instintos que ele cede.

Indaga-se, na pergunta 736, se os povos que possuem em excesso o escrúpulo relativo à destruição dos animais têm um mérito particular. A resposta é que “é um excesso num sentimento louvável por si mesmo, mas que se torna abusivo e cujo mérito é neutralizado pelo abuso de bens de outras espécies. Há entre eles mais de medo supersticioso do que verdadeira bondade”.

 1.4. Lei da Liberdade

O ser humano possui livre arbítrio para buscar o seu aperfeiçoamento moral e para acelerar o ritmo de sua evolução. No entanto, a liberdade acarreta responsabilidade pela prevenção de danos ambientais e pela reparação dos danos eventualmente causados.

Já sentimos o efeito bumerangue decorrente de práticas equivocadas quanto ao uso dos bens ambientais, sendo o exemplo das mudanças climáticas um dos mais esclarecedores, pois o efeito nocivo da poluição atmosférica ou das queimadas perpetradas em diversas partes do mundo repercute em outros locais, causando desastres aparentemente desconexos. Hoje a ciência já explica essa relação de causalidade, e devemos identificar como grande causa o padrão de vida das sociedades contemporâneas.

Portanto, através do livre arbítrio deve o ser humano reformar-se para, posteriormente, alterar o mundo em que vive e o padrão de relacionamentos que mantém com os seus semelhantes. É imprescindível que possamos perceber a responsabilidade comum de todos pela atual situação planetária, o que acarreta a necessidade de esforços, tanto no planto coletivo como individual, para reverter o acelerado movimento de degradação ambiental.

1.5. Lei da Justiça, do Amor e da Caridade.

 A justiça consiste no respeito aos direitos de cada um, humanos e não humanos. Trata-se aqui de resgatar o sentimento de amor e de reverência por todas as obras da Criação, percebendo-se a sua beleza e a harmonia deste planeta que nos acolhe e para o qual deveremos, ainda, retornar muitas e muitas vezes.

Se acreditamos em reencarnação, precisamos tratar nosso habitat com caridade e respeito, percebendo-se que a dignidade da pessoa humana é construída a partir de uma ética de solidariedade para com todas as demais formas de vida.

Além disso, a Lei da Justiça remete para a Lei da Ação e Reação, segundo a qual o resultado de nossas ações, positivas ou negativas, retorna para nós mesmos. Sob o ponto de vista ecológico, a degradação ambiental percebida no Planeta – mudanças climáticas, excessiva geração de resíduos, contaminação das águas, etc. – já começa a atingir intensamente a vida humana, como resultado de um efeito “bumerangue”.

A respeito, vale citar o seguinte trecho da obra Mandato de Amor, de Chico Xavier, editado pela União Espírita Mineira:

“O que poderá acontecer ao mundo se continuarem as atuais agressões à natureza?

Acontece que estamos agredindo, não a Natureza, mas a nós próprios e responderemos pelos nossos desmandos.

É importante pensar que se criou a Ecologia para prevenir estes abusos.

Aqueles que acreditarem na Ecologia acima de seus próprios interesses nos auxiliarão nessa defesa do nosso mundo natural, da nossa vida simples na Terra, que poderia ser uma vida de muito mais saúde e de muito mais tranquilidade se nós respeitássemos coletivamente todos os dons da natureza.

Mas, se continuarmos agredindo-a demasiadamente, o preço será pago por nós próprios, porque depois voltaremos em novas gerações, plantando árvores, acalentando sementes, modificando o curso dos rios, despoluindo as águas, drenando os pântanos e criando filtros que nos libertem da poluição.

O problema será sempre do homem.

Teremos que refazer tudo, porque estamos agindo contra nós mesmos”.

Referências:

Livro dos EspíritosCap. V – Leis Morais – IV – Lei de Conservação:

 Questão 705: Porque a terra não produz sempre bastante para fornecer o necessário ao homem?

R.: É que o homem a negligencia, ó ingrato! É todavia uma excelente mãe. Freqüentemente, também, ele acusa a natureza pelo que resulta de sua imperícia ou de sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário se o homem soubesse se contentar. Se ela não basta a todas as necessidades é porque o homem emprega no supérfluo o que poderia ser dado ao necessário…. Em verdade não é a natureza que é imprevidente, mas o homem que não sabe se regar.

Questão 707:

“A natureza não pode ser responsável pelos defeitos da organização social, nem pelas conseqüências da ambição e do amor-próprio”.

Cap. VI – V – Lei da Destruição:

Questão 734: Em seu estado atual, o homem tem um direito ilimitado de destruição sobre os animais?

R.: Esse direito é regulado pela necessidade de prover à sua nutrição e à sua segurança. O abuso jamais foi um direito.

Questão 735: Que pensar da destruição que ultrapassa os limites das necessidades e da segurança? Da caça, por exemplo, quando não tem por objetivo senão o prazer de destruir sem utilidade?

R.: Predominância da bestialidade sobre a natureza espiritual. Toda a destruição que ultrapasse os limites da necessidade, é uma violação da lei de Deus. Os animais não destroem senão por suas necessidades; mas o homem, que tem o livre arbítrio, destrói sem necessidade. Ele prestará contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, porque é aos maus instintos que ele cede.

Evangelho Segundo o Espiritismo:

 Cap. XVI – Não se pode servir a Deus e a Mamon:

Item 10:

Os bens da Terra pertencem a Deus, que os dispensa à sua vontade e o homem deles não é senão usufrutuário, o administrador mais ou menos íntegro e inteligente.

Item 13:

Ao homem, sendo o depositário, o gerente dos bens que Deus depositou em suas mãos, lhe será pedida severa conta do emprego que deles tiver feito em virtude do seu livre-arbítrio.

Cap.XXV – Buscai e Achareis

Item 8:

“A Terra produzirá bastante para alimentar todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar os bens que ela dá, segundo as leis da justiça, de caridade e de amor ao próximo; quando a fraternidade reinar entre os diversos povos, como entre as províncias de um mesmo império, o supérfulo momentâneo de um suprirá a insuficiência momentânea do outro, e cada um terá o necessário”.

Gênese

Cap. XIV – Item 12:

Assim, tudo se liga, tudo se encaixa no universo, tudo está submetido à grande e harmoniosa lei da unidade, desde a materialidade mais compacta até a espiritualidade mais pura.

Cap. X – Item 15:

Uma vez que os elementos constitutivos dos seres orgânicos e dos seres inorgânicos são os mesmos; que vem incessantemente, sob o império de certas circunstâncias, formarem as pedras, as plantas e os frutos, pode-se disso concluir que os corpos dos primeiros seres vivos se formaram, como as primeiras pedras, pela reunião das moléculas elementares em virtude da lei da afinidade, à medida que as condições da vitalidade do globo foram propícias a tal ou tal espécie.

 

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